«Mãe, preciso ter uma conversa de homem para homem com você», anunciou Alyoshka seriamente, fixando nela seus olhos azul-céu.

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**— Bom dia pra você também —** disse Natália, colocando um prato de ovos mexidos e uma caneca de achocolatado na frente do filho. Sentou-se ao lado dele.

— Estou ouvindo com atenção, Alexei.

O menino pegou o garfo, começou a cutucar a gema com concentração e fungou.

— Mãe, por que você não se casa?

Bem, essa era definitivamente uma pergunta «de homem» — daquelas que não se responde de imediato.

— Olha, filho… não dá pra responder tão rápido. E, de qualquer forma, você precisa se arrumar pra escola. Prometo que à noite a gente conversa melhor, tá?

Ela bagunçou com carinho os cabelos loiros do menino e foi em direção ao banheiro. Mentalmente, corrigiu a pergunta: *»Não é por que eu não me caso, mas por que eu me casaria?»*

E, de fato… por quê?

Natália nunca havia se casado, e também nunca fez muita questão. A vida simplesmente tomou esse rumo. Desde cedo, ela passou a viver por conta própria — e gostava disso.

Foi excelente na faculdade, conseguiu um emprego interessante e teve uma carreira extraordinária. Aos trinta anos, já tinha conquistado de tudo: comprou seu próprio apartamento, viajou pelo mundo, viveu intensamente.

Teve seus romances, sim — com diferentes níveis de paixão e seriedade.

Ela engravidou por acidente — uma distração boba, talvez esquecendo a pílula ou errando no ciclo… Aconteceu.

O homem, ao saber da gravidez, ficou visivelmente desconcertado. Balbuciou frases sobre “não estar pronto” e sobre planos que “não incluíam isso”.

Natália, no entanto, entendeu ali, naquele instante, que aquele era o momento certo para ser mãe. Tomou a decisão com serenidade, dispensou o futuro pai sem dramas e entrou de licença maternidade.

O filho nasceu radiante — olhos azuis ainda mais vivos que o céu, pulsos e tornozelos gordinhos.

Era cheio de energia e alegria, e passou a ocupar a vida dela por inteiro — tanto que não havia mais espaço para mais ninguém.

Começou então a rotina típica de uma jovem mãe: noites sem dormir, febres, o primeiro dentinho, os primeiros passos, a primeira palavra, o riso solto… e, mais tarde, as infinitas perguntas.

Agora, aos seis anos, surgia uma nova: *por quê?*

Natália protegia seu mundo — sua casa, sua rotina tranquila, limpa, bem organizada.

Antes de Alyosha, houve homens — visitas que vinham e iam. Mas bastavam algumas horas para ela começar a se sentir incomodada.

Era como se perdesse a liberdade de fazer o que quisesse: dormir a hora que bem entendesse, assistir a qualquer bobagem na TV sem precisar justificar nada.

Além disso… eles deixavam meias espalhadas pela casa. Ela permitia que Alyosha deixasse as dele — brigava, sim, mas era diferente. Uma bronca leve, quase divertida.

Natália esperava, na verdade, outra pergunta: *»Onde está meu pai?»*
Essa, sim, seria difícil de responder.

*“Namorei um homem, engravidei, ele ficou assustado e foi embora, e nós ficamos”* — isso o faria parecer um canalha.

Mas não era bem assim. Ambos eram adultos, não estavam planejando nada sério, nem falavam em casamento. Ele era um homem livre, com seus próprios caminhos. Ela não era uma colegial ingênua pega de surpresa antes da formatura.

Não era tão simples.

Mas essa pergunta nunca veio.

Em vez disso, ele perguntou sobre casamento.

Afinal, o que é o casamento?

Eles eram felizes juntos — só os dois — e não sentiam falta de ninguém. Por que mudar isso?

Naquela noite, Natália respondeu com simplicidade:

— Eu só não quero me casar. Estou feliz com a vida que a gente leva.

— Tipo a Tosya do filme *As Garotas* — disse ela, rindo. — «Se eu quero halva, como halva. Se quero pão de mel, como pão de mel.»

— Mas me diz — ela perguntou —, por que isso está te incomodando? Por que você quer que eu me case?

— É que, mãe — disse Alyosha —, a gente não tem pai. Mas tudo bem, vários amigos meus também não têm, e ninguém reclama. Só que todas as mães deles querem se casar. E acabam casando com qualquer um.

— Ah é? E onde foi que você ouviu isso?

— Eles me contaram — respondeu, desviando o olhar.

— E o que quer dizer “qualquer um”?

— Tipo… caras ruins. Grosseiros. Ou bêbados. Ou que não sabem trabalhar.

— E por que eu iria querer um marido assim?

— Não iria. Você precisa de um bom. Você é bonita, legal, inteligente e divertida. Não é como a tia Tânia — disse ele, fazendo uma careta ao se lembrar de alguma mãe que “casou com qualquer um”.

— Você precisa de um bom marido, mãe. Porque um dia, eu vou crescer e ir morar bem longe. E aí você vai ficar sozinha, velhinha.

— Vai me abandonar, é?

— Claro que não! É só que… a tia Tânia sempre diz isso pro Igor quando casa de novo.

Ah, então havia um Igor. Isso explicava a confusão na cabeça do menino.

— Não sei, mãe. Só acho que um bom marido não faria mal.

Aquela conversa ficou ecoando na mente de Natália.

Claro — ele era apenas uma criança, e crianças têm todo tipo de ideia. Mas Natalia havia decidido, tempos atrás, que tudo o que passava pela cabeça do filho era sério e merecia atenção.

Talvez, para ela, a ausência de um marido não fosse grande coisa. Mas para um menino?
Meninos precisavam de figuras masculinas — mentores, companheiros, exemplos.

Mas o que meninos realmente precisavam? Ela não sabia — afinal, não era um.
E casar apenas para dar um pai ao filho… era absurdo.

Ainda assim, contra a própria vontade, começou a avaliar mentalmente os homens que conhecia — em sua maioria, colegas de trabalho — para o papel.

Nenhum servia, é claro.
Uns eram frouxos. Outros, manipuladores. Alguns tinham barriga de cerveja. Outros usavam camisas amassadas.
Mal conseguiam cumprir um prazo, que dirá ser pai de alguém.

Três meses se passaram.

Um dia, Natalia foi buscar o filho no treino de natação — Alyoshka estava aprendendo a nadar. Ele pulou animado no banco de trás e anunciou:

— Eu achei!

— Achou o quê? — Natalia perguntou, divertida. Estava de bom humor — sua equipe acabara de vencer uma licitação importante, e ela esperava por cumprimentos, bônus e outras recompensas nos próximos dias.

Claro, também viriam as fofocas e a inveja dos colegas — mas ela já estava acostumada.

— Achei um marido pra você!

O rosto de Alyoshka brilhava como se ele próprio tivesse vencido uma licitação.

— Ah é? E quem é o sortudo?

— O nosso treinador! — disse ele, triunfante.

Ah, não. Era só o que faltava.

Na cabeça de Alyoshka, Natalia já estava casada com o jovem e bonito treinador — e agora seria difícil decepcioná-lo.

— Mãe, você não entende. Ele é ótimo. Não bebe — é atleta. Não tem esposa — eu verifiquei. Ganha bem — você mesma disse que natação custa uma fortuna.

E além disso… — fez uma pausa dramática — ele tem três turmas infantis, quatro de jovens e três de adultos! É mestre dos esportes! Forte, gentil — e tem um carrão, não como o seu…

Natalia caiu na risada. Era mesmo engraçado.

— O carro é um argumento forte — disse ela, fingindo seriedade. — Vou pensar no caso!
E riu de novo.

— Mãe, sério. Ele gosta de você. Sempre pergunta por você.

— Como assim?

— Tipo, cadê o meu pai, se você é casada. Eu disse pra ele: não tem pai, não tem marido, e a mamãe está muito bem só comigo. Enfim, vocês vão sair. Eu marquei.

— Filho — Natalia disse, ficando séria de repente — obrigada por querer me ver feliz. Mas certas coisas não se planejam. Elas simplesmente acontecem — ou não.

— É disso que eu tenho medo — disse Alyoshka, sério. — De alguma coisa errada acontecer no lugar.

Natalia estacionou em frente ao prédio e eles subiram.
Ele estava visivelmente chateado.

De repente, o telefone de Alyoshka tocou.

— Sim, Oleg Yuryevich — atendeu ele, engrossando a voz com importância.

O quê?! Oleg Yuryevich?
O treinador?!

— Sim, Oleg Yuryevich, ela já tirou as botas e pode falar com você agora — disse ele, entregando o celular à mãe com toda a confiança.

— Alô?

Natalia foi pega de surpresa — mas não tinha como escapar.

— Boa noite, Natalia Vladimirovna — disse uma voz grave e reconfortante. — Pode parecer estranho, mas gostaria de convidar você e o Alyoshka para o cinema neste fim de semana — se não tiverem planos.

— Me desculpe… Isso foi muito inesperado.

— Não se preocupe. É só um filme. Prometo não causar nenhum transtorno. E, se acontecer qualquer coisa, o Alyoshka disse que vai te proteger.

— Sério? Como assim?

— Tivemos uma conversa de homem pra homem. Ele me avisou: se eu começar a beber, tentar pegar seu dinheiro, ou te machucar de qualquer forma, ele vai me afogar. Na piscina.

— Hm. Isso muda tudo. Se for só o cinema…

Para ser sincera, fazia tempo que Natalia não fazia nada divertido com Alyoshka… e o treinador não parecia um maluco.

— Seu filho é incrível, especial — ele completou. — Eu adoraria conhecer melhor a mãe dele. Que tal sábado às cinco? Saiu um novo filme da Marvel.

— Tudo bem, então. O Alyoshka adora esses filmes.

— Combinado.

Natalia desligou e deu uma leve batidinha com o telefone na cabeça loira do filho.

Seus olhos brilhavam.

— Você é…

— O quê?

Especial. Incrível.
Mas ela não disse.
Não precisava — ele já sabia.

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